segunda-feira, 5 de abril de 2021

LÍNGUA PORTUGUESA - ENSINO MÉDIO

DIGA SE É ALUNO CADASTRADO DO NEEJA E DEIXE SEU COMENTÁRIO OU SUGESTÕES.

PROF. BERNADETE

ORTOGRAFIA

É a parte da gramática que ensina a escrever corretamente as palavras de uma língua. Ortografia é o conjunto de regras estabelecidas pela gramática normativa para a grafia correta das palavras e o uso correto de acentos, crase e sinais de pontuação.

-EZ/-EZA

A forma -eza (ou -ez) é sufixo. Serve para formar substantivos abstratos que derivam de adjetivo. Observamos alguns exemplos, no quadro abaixo:

adjetivo

substantivo derivado

limpo

limpeza

certo

certeza

magro

magreza

surdo

surdez

estúpido

estupidez

A forma -ês é sufixo formador de palavra que indica origem ou título nobre; serve para o masculino.

Japão

japonês

Montanha

montanhês

Campo

camponês

Burgo

burguês

Título nobre

marquês

As formas -esa, -essa e -isa são sufixos. Servem para formar o feminino, indicando origem ou título nobre.

Exemplos:Marquesa, duquesa, baronesa, japonesa, poetisa, condessa, calabresa, pequinesa.

-IZAR

A forma -izar (com z) é um sufixo formador de verbo. Deve ser acrescentado, de modo geral, a radicais que não usam a letra s. Assim, temos: real + izar = realizar; profeta + izar = profetizar, catequese + izar = catequizar. 

-ISAR

A forma -ar é um outro sufixo formador de verbo. Deve ser acrescentado a radicais que já contêm s. Assim, temos: análise = analisar; aviso = avisar, paralisia = paralisar etc.

Há uma maneira prática de identificar esse caso: se a palavra correlata, primitiva, tiver a forma is + vogal, usa-se, no verbo a letra s.

Exemplos:análise (is + vogal e) = analisar               pesquisa (is + vogal a) = pesquisar

-OSO/-OSA

Grafam-se com a letra s palavras que usam o sufixo formador de adjetivos -oso/-osa.

Exemplos:bondoso, bondosa, orgulhoso, orgulhosa, etc.

Outros usos da letra s:

Após ditongos:

Exemplos:coisa, pousa etc.

Os verbos querer e pôr nunca usam a letra z. Usam sempre a letra s.

Exemplos: quiser, puser etc.

Outro uso da letra z:

A forma -inho e -zinho são sufixos que formam o grau diminutivo. Se a palavra primitiva terminar em s ou z, acrescenta-se o sufixo -inho (a). Em todos os outros casos, acrescenta-se o sufixo -zinho (a).

ZINHO - ZITO

Os sufixos ZINHO e ZITO, designativos dos diminutivos, devem ser sempre grafados com Z.

Exemplos:

avezinha (ave + zinha)
cãozinho (cão + zinho)
mãezinha (mãe + zinha)

Exercícios:

1) Forme substantivos femininos a partir das palavras abaixo, empregando convenientemente s ou z:

limpo_______   defender ______ barão ________  surdo _______ freguês _______

 

2) Forme verbos a partir de:

análise _______  síntese _______ paralisia ______ civil ______  liso _______

 

3) Assinale a alternativa em que todas as lacunas são preenchidas com s:

a) pobre*a, chinê*, reali*ar
b) prince*a, montê*, civili*ar
c) atra*ado, cortê*, anali*ar.
d) suavi*ado, francê*, economi*ar

Respostas:

·         1) limpeza: substantivo abstrato formado a partir do adjetivo "limpo", por isso o sufixo -eza é grafado com Z.

·         defesa: substantivo abstrato formado a partir do verbo "defender" (diferente do que acontece com "limpeza").

·         baronesa: o sufixo -esa indica título, por isso é grafado com S.

·         surdez: substantivo abstrato formado a partir do adjetivo "surdo", por isso o sufixo -ez é grafado com Z.

·         freguesa: deriva da palavra "freguesia", que é escrita com S.

2) análise - analisar: quando o sufixo -izar forma verbo, escrevemos com Z.

·         síntese - sintetizar: quando o sufixo -izar forma verbo, escrevemos com Z.

·         paralisia - paralisar: quando se acrescenta o sufixo -ar nos verbos, os mesmos devem ser escritos com S.

·         civil - civilizar: quando o sufixo -izar forma verbo, escrevemos com Z.

·         liso - alisar: quando se acrescenta o sufixo -ar nos verbos, os mesmos devem ser escritos com S.

 

·         3) atrasado - palavra derivada de "atraso", que é grafada com S.

·         cortês - palavra derivada de "cortesia", que é grafada com S.

·         analisar - quando se acrescenta o sufixo -ar nos verbos, os mesmos devem ser escritos com S. Mas, quando se acrescenta o sufixo -izar nos verbos, os mesmos devem ser escritos com Z. 

Emprego da letra J

a) Em verbos com infinitivo em -jar.

Exemplos: enferrujar, viajar

b) Em palavras que derivem de outras que usem j.

Exemplos: cerejeira, laranjeira

c) As palavras de origem indígena ou africana devem ser grafadas com j.

Exemplos: jiló, Moji, canjica, canjerê, pajé

Emprego da letra G

a) Na grafia de angélico, angelical, frigir, fugir.

b) Nas palavras que usem as terminações: -ágio, -égio, -ígio, -ógio e -úgio

Exemplos:pedágio, colégio, litígio, relógio, refúgio.

c) Nos substantivos terminados em -gem com a exceção feita a pajem, lajem e lambujem.

Emprego da letra X

a) Nas palavras iniciadas por en.

Exemplos:enxoval, enxurrada, enxovia

A exceção é o verbo encher e seus derivados (encher, enchente.).

b) Nas palavras que começam com me, exceto mecha e seus derivados.

Exemplos:mexer, México

c) Geralmente após ditongos.

Exemplos:caixa, caixote, frouxo

Emprego da letra H

a) O h inicial deve ser empregado onde a etimologia ou tradição escrita da língua portuguesa o justifique.

Exemplos:hélice, herói, honesto, homem, honra, hoje.

Observação: O h não deve ser empregado quando a origem da palavra não o explique.

Exemplos:alucinação, ombro, ontem.

b) No interior dos vocábulos o h é eliminado, exceto quando ele faz parte dos dígrafos ch, lh, nh.

Exemplos:desumano, mancha, malha, ninho, minha

Emprego do Ç ou SS

Usa-se ç nas palavras de origem árabe, nos indianismos e africanismos.

Exemplos:açude, piraçununga, araçá, suçuarana.

Usa-se çantes de (a/o/u) açafrão, açougue, açude

Emprego do -SÃO, -ÇÃO, -SSÃO

a) Usa-se -são quando o verbo apresenta -nd.

Exemplos:compreender – compreensão ascender - ascensão

b) Usa-se -ção quando o verbo é formado a partir do verbo ter.

Exemplos:Abster – abstenção Conter - contenção

c)Usa-se -ssão quando o verbo apresenta -ced, -gred, ou -prim.

Exemplos:ceder – cessão regredir – regressão exprimir - expressão

LITERATURA - ENSINO MÉDIO

 DIGA SE É ALUNO CADASTRADO DO NEEJA E DEIXE SEU COMENTÁRIO OU SUGESTÕES.

PROF. BERNADETE

O gênero épico é estruturado em versos e estrofes. Sua principal característica é a narração de ações nobres praticadas por heróis representativos da história de um determinado povo. As epopeias Ilíada e Odisseia, compostas na Grécia Antiga, de autorias atribuídas a Homero, constituem os modelos mais famosos desse gênero, tendo influenciado a construção de outras epopeias. 

Origem do gênero épico

A palavra epopeia vem do grego épos, “verso”, mais poieô, “faço”, e refere-se à narrativa, em forma de versos, de um fato grandioso de interesse de um povo. Trata-se de uma poesia objetiva, impessoal, cuja característica principal é a presença de um narrador contando fatos do passado.                                                                                                                        Quanto ao tema, predomina-se a narração de fatos heroicos da história de um povo.

Principais características gênero épico

→ Quanto ao tema

·         Narra a aventura de um herói e suas façanhas guerreiras.

·         Presença de elementos da mitologia greco-romana.

→ Quanto à estrutura

·         Poema narrado em terceira pessoa.

·         Divide-se em cantos ou livros.

·         Predomínio da objetividade.

·         Tende a apresentar as seguintes partes: introdução, invocação, narração e epílogo.

Textos épicos

Homero (928 a.C.-898 a.C.) é considerado o autor das duas mais importantes epopeias do Ocidente.

 

Destacam-se, no Ocidente, os seguintes textos épicos:

·         Ilíada (Homero, Grécia; narrativa sobre a Guerra de Troia)

·         Odisseia (Homero, Grécia; narrativa do retorno de Ulisses da Guerra de Troia)

·         Eneida (Virgílio, Roma; narrativa dos feitos romanos)

·         Os Lusíadas (Camões, Portugal; ída de Vasco da Gama às Índias)

·         Caramuru (Santa Rita Durão, Brasil; narra feitos ligados ao início da colonização)

O Uraguai (Basílio da Gama, Brasil; narra a disputa entre jesuítas, índios e portugueses no Rio Grande do Sul)

•Paraíso perdido: epopeia baseada no livro bíblico de Gênesis, foi escrita em 1667 pelo escritor John Milton e narra a queda do anjo de luz chamado Lucifer, e a saga de Adão e Eva após comerem o fruto proibido;

A divina Comédia: epopeia escrita no século XIV pelo poeta italiano Dante Alighieri e narra uma viagem alucinada ao Inferno, purgatório e paraíso.

·         Ilíada

A epopeia Ilíada narra o drama do herói Aquiles, filho da deusa Tétis e do mortal Peleu, rei de Ftia, na Tessália, envolto com a guerra dos gregos contra os troianos. Essa guerra, segundo a mitologia grega, foi motivada pelo rapto de Helena, esposa do rei de Esparta.

Veja a primeira estrofe do “Canto I” da Ilíada:

Canta-me ó deusa, do Peleio Aquiles
A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
Verdes no Orco lançou mil fortes almas,
Corpos de heróis a cães e abutres pasto:
Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem
O de homens chefe e o Mírmidon divino.

Heitor e Aquiles, protagonistas da epopeia “Ilíada”, foram os grandes guerreiros da Guerra de Troia.

A nomenclatura gênero épico tem sofrido alterações ao longo dos anos. Atualmente, privilegia-se a substituição da nomenclatura gênero épico para gênero narrativo, considerada mais atual.

Neste gênero, é feita a narração de uma história através de uma sequência de várias ações reais ou imaginárias. Essa sucessão de acontecimentos é contada por um narrador e está estruturada em introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo dessa estrutura narrativa são apresentados os principais elementos da narração: espaço, tempo, personagem, enredo e narrador.

Características do gênero narrativo

  • É escrito maioritariamente em prosa;
  • A ação é contada por um narrador;
  • Ocorre a narração de uma sucessão de acontecimentos reais ou imaginários;
  • Apresenta a estrutura básica de introdução, desenvolvimento e conclusão;
  • A ação se desenrola num tempo e num espaço;
  • Pode ser utilizado um discurso direto, indireto ou indireto livre.

Subgêneros do gênero narrativo

Romance: Narrativa em prosa, extensa e complexa, sobre personagens fictícias que vivenciam acontecimentos imaginários num determinado espaço e tempo. Além de relatar aventuras, os romances habitualmente traçam perfis psicológicos de personagens, caracterizam uma época e criticam costumes sociais.

Novela: Narrativa em prosa mais breve do que o romance e mais extensa do que o conto. Normalmente, apresenta o desenvolvimento sequencial de vários enredos interligados, sendo uma narração dinâmica.

Conto: Narrativa em prosa mais breve do que o romance e a novela, cujo enredo é intenso e rápido, ocorrendo uma ou poucas ações, vivenciadas num curto espaço de tempo por poucas personagens, que são superficialmente caracterizadas.

Epopeia ou poesia épica: Narrativa em verso, extensa e complexa, sobre atos heroicos de uma personagem ou conjunto de personagens em acontecimentos extraordinários, dignos de serem imortalizados.

Fábula: Narrativa em verso ou em prosa sobre personagens e fatos fantásticos. Apresenta duas características marcantes: ser protagonizada principalmente por animais e ter como finalidade transmitir uma lição de moral, possuindo um cunho educativo.

Crônica: Narrativa em prosa, sucinta e informal, que aborda temas simples e cotidianos. Faz uma crítica a acontecimentos do dia a dia, recorrendo ao humor. Tem como objetivo analisar e criticar a realidade social, política ou cultural. Dos textos literários é o que mais se aproxima do texto jornalístico.

Ensaio: Narrativa breve e impessoal, em prosa, cuja finalidade é apresentar ideias, críticas, reflexões e pontos de vista sobre um assunto. Possui um cunho didático.

 Gênero épico e gênero narrativo: qual a diferença?

A divisão clássica, que remonta à Grécia antiga, define três gêneros literários: gênero épico, gênero lírico e gênero dramático.

O gênero épico era então entendido como extensas narrativas que contavam feitos grandiosos de um herói ou de um povo, imortalizando os acontecimentos narrados, visto serem de interesse mundial, como a fundação de cidades, a descobertas de novas terras, a conquista territorial,...

Usavam uma linguagem elaborada e narravam os acontecimentos de uma forma extraordinária e sobrenatural, com a presença de personagens mitológicas que participavam no desenrolar dos acontecimentos. Muitas dessas narrativas foram feitas em verso - os chamados poemas épicos.

Com o decorrer do tempo e a evolução das sociedades, os poemas épicos foram, aos poucos, caindo em desuso, sendo substituídos por extensas narrativas em prosa - os romances.

 Principais elementos da narrativa

Os principais elementos da narrativa, também chamados de elementos da narração, são:

Espaço: O espaço se refere ao local onde se desenrola a ação. Pode ser físico (no colégio, no Brasil, na praça,…), social (características do ambiente social) e psicológico (vivências, pensamento e sentimentos do sujeito,…).

Tempo: O tempo se refere à duração da ação e ao desenrolar dos acontecimentos. O tempo cronológico indica a sucessão cronológica dos fatos, pelas horas, dias, anos,… O tempo psicológico se refere às lembranças e vivências das personagens, sendo subjetivo e influenciado pelo estado de espírito das personagens em cada momento.

Personagens: São caracterizadas através de qualidades físicas e psicológicas.

 As personagens principais desempenham papéis essenciais no enredo, podendo ser protagonistas (que deseja, tenta, consegue) ou antagonistas (que dificulta, atrapalha, impede). As personagens secundárias desempenham papéis menores e podem ser coadjuvantes (ajudam as personagens principais em ações secundárias) ou figurantes (ajudam na caracterização de um espaço social).

Enredo: Também chamado de intriga, trama ou ação, o enredo é composto pelos acontecimentos que ocorrem num determinado tempo e espaço e são vivenciados pelas personagens.

Narrador: O narrador é o responsável pela narração, ou seja, é quem conta a história. Existem vários tipos de narrador:

Estrutura narrativa

Os textos narrativos são estruturados em introdução, desenvolvimento e conclusão.

Introdução: A introdução se refere à situação inicial da história. Também chamada de apresentação, é nesta parte da narração que são apresentados os principais elementos da narração: espaço, tempo, personagens, enredo e narrador. Ficamos sabendo quem, quando e onde.

Desenvolvimento: Durante o desenvolvimento do enredo, ocorrem conflitos, ou seja, acontecimentos que quebram o equilíbrio apresentado na introdução, modificando essa situação inicial. Ficamos sabendo o quê e como. No desenvolvimento ocorre também o momento mais tenso e emocionante da história - o clímax.

Conclusão: Também chamada de desfecho, desenlace ou epílogo, a conclusão é a parte da narração em que se resolvem os conflitos (positiva ou negativamente). Fica evidenciada a relação existente entre os diferentes acontecimentos, sendo apresentadas suas consequências.

Exemplo de excerto de texto narrativo:
“E ele, caminhando devagar sob as acácias, sentia no sombrio silêncio as pancadas desordenadas do seu coração. Subiu os três degraus de pedra – que lhe pareciam já de uma casa estranha. (…) Ali ficou. Melanie, com o xale na mão, veio dizer-lhe que a senhora estava na sala das tapeçarias… Carlos entrou. (…) E correu para ele, arrebatou-lhe as mãos, sem poder falar, soluçando, tremendo toda.” (Os Maias, Eça de Queirós)